minha vida em um blog ? tire suas proprias conclusoes


post de baixo e post de cima ..... rs

Escrito por Mário às 22h10
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Olho pra cima, e vejo que ela me olha da mesma maneira. Serena como sempre, no entanto não sorri e me aponta com a mão para um canto que não estou conseguindo enxergar direito. Era a amiga da minha irmã. Nossos olhares se cruzam, e sem eu dizer sequer uma palavra ela desata a chorar. Com a minha cara mais amassada de sono, tento não me render a vontade de trucidar esta ordinária e me sento do lado dela pra saber o que exatamente aconteceu nessa noite, Nina fecha a revista e passa a analisar toda a situação.

Olho Vânia de cima a baixo, respirando fundo pra não dizer todo o arsenal de palavras feias que eu conheço da língua portuguesa, e com a maior calma do mundo – ainda que fabricada , consigo perguntar:

- Não é tempo pra arrumar briga e nem nada, mas eu gostaria de saber o que aconteceu com a Marina nesta noite.

-...

- Você ficar calada não me ajudará em nada, preciso saber o que minha irmã fez...

- Você deve me odiar, né?- esboça um sorriso amarelo

- Não foi exatamente isto que eu te perguntei.

- Bom. Passamos a tarde de ontem bebendo. Chegamos um pouco depois da hora do almoço em um destes quiosques a beira mar, e começamos a beber um pouco. Uns caras chegaram quase no começinho da noite e nos chamaram pra ir a casa deles. Eu tinha um pouquinho de anfetamina comigo, e chegando lá os caras nos deram maconha.

- Sei.

- Começamos a entrar no clima , a relaxar com os baseados e eu tomei uma bola pra despertar. Acho que era um Femproporex, de 45 MG. Ela quis também, estávamos tomando. Todas as meninas do grupo tomam.    

- Sei.

- Ela ficou pedindo mais , disse que queria chegar no céu. Que tudo o que mais queria era ficar doida pra ver se ia pra outro mundo. Eu não dei mais nenhum, mas ela roubou um da minha bolsa.

- E então?

- Fui na cozinha da casa dos caras pra pegar um pouco mais de vodca, e ela tinha aberto uma anfetamina e estava separando o pó em carreiras. Um medidor de rum até a medida com quase uns meio litro de bebida. Um cartão telefônico entre os dedos, e separou tudinho como se fosse uma profissional – e ri maniacamente, o que me faz ter vontade de esganar ela.

Nina olha tudo com uma expressão de horror e nojo que não poderia ter sido mais sincera, e decide participar mais ativamente da conversa, o que me deixa mais feliz por ter finalmente ter ela de volta:

- E daí o que aconteceu com ela, Vânia?

- Ela começou a espumar que nem um cachorro com raiva, os caras jogaram ela na caçamba de uma picape, e viemos pra cá.

Decido sair de perto dela, e Nina vendo o meu dilema sai correndo e se junta a mim. Passam das dez da manhã e começo a sentir fome, e eu e ela saímos atrás de uma padaria ou lanchonete que pudesse nos vender algo. Saímos andando pela orla marítima , e quando menos percebo estamos sentados em uma mureta observando o ir e vir das ondas do mar. Olho pro lado, e vejo que Nina me observa com um encantamento que não me lembro de ter visto nos olhos dela, me olha com uma espécie de admiração que chega a ser inibidora. Vejo que o óculos dela está um pouco torto, tiro a pequena armação de aço do pequeno rostinho dela e começo a passar meu nariz por cada ponto da face dela. Sentindo cada pequena coisa que ainda não tinha percebido, o nariz mais arrebitado, a orelha , sentindo o cabelo que tem um cheiro ótimo, passando os braços por cada parte das costas dela, ouvindo o ir e vir das ondas. O olhar dela me transmite prazer sincero e inocente. Passo o meu lábio superior sobre a boca dela. Ela sorri com os olhos e tenta morder minha boca. Por cinco ou seis vezes, eu consigo desviar. Até que ela consegue pegar.

Fingindo uma dor que nunca pretendi que soasse real, peço pra ela soltar. Com a metade da boca que não está mordendo a minha, ela diz que o preço pra que ela solte é que eu a beije. Concordo, e começo a delicadamente massagear a língua dela com a minha. Percebo que cada centímetro do corpo dela está aos meus pés, e continuo beijando. Meio como se não esperasse mais nada da vida, como se eu tivesse esquecido que estou morrendo de fome e de sono. Eu não posso ficar longe dela por mais nenhum minuto, todo o tempo que eu não fiquei com ela, só me fez lembrar de como eu precisava de cada pedaço dela perto de mim. Ela tem que ser minha esposa. 



Escrito por Mário às 22h10
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Cap.26

 

 

 

Passam um pouco das oito e meia da manhã quando estamos passando pelo pedágio da rodovia que liga São Paulo ao litoral sul. Durante a trajetória, eu botei Nina mais ou menos a parte dos acontecimentos, e ela está mais acordada do que nunca , graças a carga de adrenalina que eu despejei nela pra começarmos o ano bem. Ela aparenta apreensão na mesma medida em que parece estar racionalizando cada informação que eu passei:

- Breno?

- Oi.

- Desculpa eu estar falando, mas pelo tipo de informação que te deram e que você me repassou , eu estou suspeitando que ela teve overdose.

- Sabe Nina? Eu estou pensando no mesmo tipo de coisa.

Chegamos ao hospital após pegar um dos menores trânsitos que eu já vi na Imigrantes. Todos os faróis pela nossa frente estão verdes, e o começo do ano aqui no litoral é exatamente da mesma maneira de sempre. Gente pela rua tentando achar o rumo de casa, muito lixo pela calçada, gente pela rua dormindo aonde dava, alguns comerciantes lavando a calçada dos seus estabelecimentos e o hospital. Estacionamos o carro na calçada em frente, e com uma calma totalmente forjada , vou subindo os degraus que separam a rua do balcão de atendimento. Por mais que eu não tenha pensado nisso durante toda a viagem, não posso deixar de repassar cada cena do dia do acidente dos meus pais, e tampouco posso negar que estou morrendo de medo de viver tudo isto mais uma vez.

 Digo que sou irmão dela, e me mostram um corredor aonde posso falar com o clínico geral que está no plantão. Digo que sou colega de profissão, o que nestes casos sempre acaba se revertendo em uma vantagem. Ele me explica a situação. Fizeram alguns exames de sangue nela, alguns dos testes de praxe pra este tipo de caso, e encontraram em quantidades exageradas tanto álcool, quanto algum THC – advindo de maconha, e muitas anfetaminas. Para bom entendedor, meia palavra basta. Overdose, e das boas.

Se o atendimento é feito a tempo e de uma maneira racionalizada, é questão de efetuar uma lavagem estomacal, alguns remédios preventivos e acompanhar o caso mais de perto. Pelo que dá pra entender, não é o que poderíamos dizer uma situação irreversível. Volto pro saguão de entrada, e vejo Nina sentada lendo uma revista que alguma alma teve a boa vontade de esquecer por lá. Parece estar bem, sem muitas dificuldades de se manter desperta. Na primeira manhã das trezentas e sessenta e cinco que temos pela frente, pelo menos neste hospital tudo parece estar calmo. Encosto do lado dela e quando menos percebo o sono já tinha me vencido.Com a delicadeza de sempre, ela encosta minha cabeça no casaco branco que vestia, improvisando um pequeno travesseiro. Cerca de uma hora depois, sinto os dedos dela passarem por meu cabelo, é a maneira dela dizer que eu tinha que acordar.



Escrito por Mário às 22h10
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