meu conto de natal
conto remix um ( escrito em algum ponto de 2000)
naquela noite tudo parecia um tanto quanto triste. chovia, são paulo estava cinza, as luzes halógenas dos postes deixavam tudo muito mais triste e sem sentido, no ônibus, o mesmo ônibus com o final 5335 que eu pego todo santo dia para ir pra casa, apenas uns poucos gatos pingados tentavam ir pra casa. uns com suas sacolas de lojas baratas, uns carregando brinquedos para crianças, uns apenas se carregando pra tentar passar por mais um dia. eu era um desses. mais ou menos um dia. passando pra onde e por onde? entendendo o que? sendo como pra quem? e o ônibus seguia, até que em um farol, eu paro pra observar uma cena. Uma familia de moradores de rua, circundados por vira-latas , de uma certa maneira comemoravam o natal. Uma garrafa de cidra destas bem baratas, um panetone destes de padarias, um plástico servindo como se fosse um telhado. Todos estranhamente felizes e sorrindo. Os homens mais velhos se abraçavam e pareciam eufóricos. Uma mulher que nao parecia ter mais de 30 anos de idade observava tudo com um ar de plena satisfaçao.Olho mais atentamente, e vejo que ela segura algo envolto em um pequeno cobertor. Era um bebezinho.Imediatamente, nao posso deixar de me sentir um tanto quanto surpreso por assim dizer, mas incrivelmente triste, como se o mundo estivesse caindo em mim. Mas da maneira deles, eles deveriam estar celebrando, era noite de natal, e isto em si era um motivo bastante grande pra se comemorar. No final , cada um vendo a sua maneira, as coisas realmente fazem sentido. A vida em si faz sentido. Pelo menos pra esse povo esrtava fazendo.
O transito parece ainda mais afunilado e congelado. Nada anda. Até que ao fundo ouço uma sirene. nao de ambulância, mas sim de polícia. Parecem estar apressados, e os carros do lado do ônibus começam a dar espaço, e a perua branca, preta e vermelho fica exatamente do lado. O motorista , acende um farol de milha e ilumina a pequena ceia daquela familia. A mulher com a criança pequena murmura algo que nao posso ouvir do ônibus. os homens cobrem o rosto. O rosto do policial ao volante se ilumina de uma maneira estranha. Tres policiais descem e começam a interrogar a pequena família. O pai do pequeno bebê levanta o dedo em riste, o coturno do policial passa rente ao queixo e acerta o nariz, o sangue vermelho parece mais lívido devido a garoa que cai lá fora. Os outros homens tentam parar a sangria do policial, ouço o barulho da calibre 12 sendo engatilhada. o tiro seco. mais sangue. Os homens caem mortos , um a um. Sobra a mulher assustada com a criança que chora silenciosamente.
O trânsito finalmente flui e conseguimos ir embora. Maria e Jesus ficam sós na pequena manjedoura.
Escrito por Mário às 11h20
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